Processo de Criação
Alma de Saudade foi escrita em 1999, com base no poema homônimo de Clotilde Paul, apresentado em manuscrito ao compositor.
ALMA DE SAUDADE
(Clotilde Paul)
Eu queria ter vivido amor
(Clotilde Paul)
Eu queria ter vivido amor
há um século atrás
Quando o homem ia namorar
de colete e chapéu na mão
E a mulher flertava com um sorriso
e uma canção
Tenho alma de saudade amor
Amo a lua e o violão
Sinto falta de uma serenata
Janela entreaberta à luz do lampião
Ainda guardo com ternura
O vintém de prata da minha ilusão
Como eram bons os tempos idos
Com o céu pintado de balão
Quando o beijo sabia a pecado
Pedido ou roubado ai! quanta emoção!
Entre uma e outra contradança
Os olhos dizem sim
e a boca só diz não.
e a boca só diz não.
Voo de Reconhecimento
Composição que lida com a percepção de um gênero de canção típico da música brasileira: a modinha. Desenvolvida no sentido de chegar a um ponto ambíguo, em que a “modinha” esteja presente numa canção que oscila entre um clima romântico e uma concepção minimalista.
O poema tem uma estrutura de versos que, embora graficamente não sinalize estrofes, parece embutir uma divisão estrófica a cada quatro versos, considerados os dois primeiros como introdução, e os dois últimos como uma quebra do verso derradeiro.
Musicalmente, a canção é dividida em três seções, que poderíamos representar por A-B-A. A Seção A começa com um longo trecho solo do canto, quase um recitativo, como um reto tom. Em determinado momento, o fagote entra para expor um motivo extraído do recitativo, e que se transforma numa citação (Tenderly), à qual o piano, que entra a seguir, dá suporte harmônico. O canto, então, principia, a desenvolver uma melodia ora suave, ora tortuosa, enquanto o piano introduz uma segunda citação (Lábios que Beijei) e, a partir daí, mantém um obsessivo motivo que se repete, de modo quase minimalista, por praticamente toda a seção A, enquanto o fagote faz pequenas citações da valsa No Belo Danúbio Azul, de Strauss. Nesse transcurso, o canto não atua constantemente, mas apresenta silêncios de vários compassos, às vezes, enquanto os instrumentos salientam as citações e a base repetitiva minimalista do piano.
A Seção A1 começa como o mesmo canto repetitivo, que logo é interrompido pela entrada do fagote e do piano, com as mesmas citações. Logo depois, entretanto, percorre outro desenho melódico, embora sejam mantidas as citações da valsa de Strauss, pelo fagote, e a repetição minimalista do piano, com outros elementos.
Entre essas duas seções, a Seção B traz uma melodia bem “modinheira”, em duas partes, a primeira executada três vezes, cada qual sob diferente acompanhamento, e com uma espécie de passagem entre cada execução, cada qual também diferente.
Histórico de Realizações (Concertos e Gravações)
Faz parte de um ciclo de canções com poemas de Clotilde Paul. Originalmente, para canto, violoncelo e piano, foi estreada em 2000 pela soprano Maria Helena Silveira (voz), Diósnio Machado Neto (fagote) e Antônio Eduardo (piano), no Festival Música Nova. Em 2011, foi escrita versão para piano, canto e flauta, interpretadLa por Antônio Eduardo (piano), Adriana Bernardes (canto) e Cibele Palopoli (flauta).
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